| sexta-feira, 29 de junho de 2007 |
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Ontem resolvi voltar para casa. Não sabendo ainda se definitiva ou provisoriamente. Visitei o lar onde vivi meus 18 anos de vida até àquele momento. E apesar de não sentir mais esta casa como um lar, eu senti uma felicidade plena. Percebi que toda a vida, mesmo tendo meu irmão como parente mais distante e mais oposto a mim, eu fui uma simples cópia dele. Assim como na maioria das famílias, o meu irmão onipresente desconhecido foi o meu modelo para me tornar o que me tornei hoje. Mesmo sendo ainda o total oposto dele, sempre mantive em mim uma admiração oculta e profundo por ele. A casa grande e simples, situada em um bairro que eu nunca me adaptei pode voltar a tornar-se o meu lar novamente.
Foram um ano e cinco meses longe de casa e dois anos e seis meses de um relacionamento que ainda está com as pontas presas... indefinido. Durante todo esse tempo eu me tornei um homem, uma pessoa melhor e mais apaixonado pela liberdade. Mas qual é o custo desta liberdade? Ficar com alguém que não tem mais certeza se o amor ainda é verdadeiro? Não posso mais voltar e escolher apenas as coisas materiais. Onde está meu amor próprio? O respeito ao próximo? Chegou a hora de decidir mais uma vez meu destino.Talvez isso esteja ocorrendo apenas por ser meu inferno astral, ou talvez seja apenas um modo da vida me dar um murro na cara. Voltar para casa... o seio materno... anseio interno... O cheiro de esmalte dentro do armário de minha mãe, o cheiro de seu travesseiro após um dia de sol, seu modo como dorme vendo filmes, suas novas manias - ir ao culto da igreja todos os domingos -, tudo isso toma outro significado hoje. É óbvio que tudo isso pode acabar antes de eu reler esse texto (e acabou), mas o que me acalma é que nestas poucas horas de volta ao passado, minha liberdade artística recresce. Incrivelmente eu me sinto mais homem... mas até quando: P.S.: Já sei a resposta da pergunta que me fiz há alguns anos. O que me tornei? O que sempre fui Escrito em 16/04/07 |
| Hurting at 13:43:19 |
| quarta-feira, 24 de maio de 2006 |
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Porque somos nós? Nós tão complicados, Nós que não desatam, nós cegos, surdos e mudos. Por que somos nós? Com nossos defeitos e virtudes, Nós que nos atamos ao porto, nós com os pés aqui, em terra firme. Porque somos nós, nascidos e crescidos neste país e estado. Porque não alemães, portugueses, africanos, maias? Porque não mais ricos? Elaborados? Porque não na miséria? Nós mal atados? Porque somos nós? Que fazem tropeçar, que machucam, apertam, consomem com o ar. Porque somos nós, e não apenas atas, ou melhor atos, momentos imensuráveis e perecíveis, segundos vazios, malditos Porque somos nós humanos, amontoados e entrelaçados, interligados e nada a sós. Porque somos nós, velocidade, e não massa, gravidade. altura, temperatura. Porque somos nós, na garganta, no estômago, nó nas tripas, .. tortura. Porque nós somos nós, e não o outro sentado ao seu lado, seu chefe, o flanelinha, o peixe no aquário. Pois estariam se perguntado... Porque somos nós? Ouvindo James Blunt - High |
| Hurting at 11:28:45 |
| quarta-feira, 12 de abril de 2006 |
![]() Dos meus medos, o que mais temi e temo, é o silêncio. E durante todo esse tempo de invisibilidade, por seis longos meses, este prevaleceu. E me inundou com a sua luxúria e exacerbada entorpecência inútil. Me deixou largado ali, no canto de um cômodo qualquer, enclausurado, com a boca cerrada, sangrando, a mente drogada, não sendo mente. Me viciava na realidade, o que nunca me interessara. E o tempo, seu aliado, continuava a criar seus semideuses e eu, cada vez mais pagão, adorava-os: o Desejo, a Inércia, o Poder, a Satisfação, a Fadiga, o Comodismo e o mais temível dos semideuses... a Distração. Criava-os e devorava-os. E naquele espetáculo de horror e de subordinação, eu era temente ao deus Tempo. Deixei a arte, a filosofia, a cultura, a religião, a música e a literatura de lado para adorar seus semideuses e supostas maravilhas que me proporcionavam. As minhas escolhas não eram mais escolhas, eram predestinações de mais um semideus que adorei... a Volubilidade. E o tempo fez-se passar... e pela primeira vez durante esses seis meses ele resolveu parar. Mesmo que por um breve momento, ele parou e abriu uma fenda de seu feitiço sobre mim por algumas horas. No abrir os olhos da mente sobre o mundo e o caos, eu acordo de meu poema que ousei tornar sortilégio e, portanto, cair em desgraça. Não sei se amanhã estarei novamente enfeitiçado por Ele e adorando seus semideuses. Escapo da claridade da falsa alegria que cegava-me e olho por entre as frestas das ripas mal justapostas do meu cativeiro medonho, e vejo que não olho para frente, mas sim para trás. Vejo o meu passado... Um relicário deslumbrante de mim mesmo, nem mesmo me reconhecendo, hoje, nele. Choro pelos anos perdidos, pela decadência de meu ídolo recém descoberto: Eu, Douglas Oliveira, o garoto de dezessete anos que só sabia expressar todo seu sentimento ou em hipérboles ou em verdades cruas. O garoto que vivia em busca da plena felicidade, mas que na verdade, buscava a busca pela felicidade, que parecia muito mais criativa. Ele, que descoloria seu mundo para colorir sua mente. Ele, que era poeta, errante, egoísta, ignorante, pessimista, amante e de certo modo ingênuo. Olho ao redor, para dentro de meu cativeiro, e vejo textos rasgados pelo chão. São apenas dias antigos. A palavra felicidade ,escrita nas "paredes" do meu interior com o sangue dos meus lábios cerrados que tentaram gritar no vácuo... inútil, the happiness, le bonheur, la felicidad, das glück, la felicità, enfim foi alcançada. E no calor da hora a mesma acabou apoiando-se e afogando a inspiração na tentativa de emergir do que não existiu. Então, durante essas horas incertas que estou fora das alucinações que o tempo me fez crer ser verdade, que vejo o mundo despido de máscaras e otimistas plenos, mergulharei em busca da inspiração que afundou-se por causa da felicidade, pois enquanto perco esses minutos escrevendo, a inspiração me dá um sinal que ainda está viva. Tentarei salvá-la... antes que o amanhã chegue e as horas passem. Talvez ainda esteja enfeitiçado pelo Tempo, mas o meu maior medo, o Silêncio, me entorpeceu de tal modo que me fez delirar e ousar parar de crer nos semideuses que o Tempo criou. Parece loucura não temê-lo, mas não é que não tema, é que apenas não tenho mais nada a perder. Daqui a dez dias o Tempo me amaldiçoa por mais um ano... Primeira parte de um século dividido em cinco sessões. E o que me tornei? O que conquistei? No que fracassei? Ouvindo: Keane - Everybody's Changing |
| Hurting at 19:39:38 |
| segunda-feira, 12 de setembro de 2005 |
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Sinto a necessidade de escrever. E não apenas escrever, mas escrever cada dia que passa, pois o meu maior medo é morrer e não deixar nada registrado nos meus últimos dias de vida. E percebo que eu escrevo, mas não registro nada. Nada é posto no papel, nada mais consegue se concretizar no bloco de notas que está na minha frente. Escrevo no meu pensamento, pensamento limitado, que lota com pensamentos banais, não deixando os verdadeiros pensamentos sobre o meu espírito e meu bem-estar se manifestarem. Há tantos textos, idéias, sonhos e angústias que foram perdidos com o tempo sem poderem ser compartilhados. E tantos textos escritos nos intervalos de minha escravidão, nos intervalos de minhas torturas medievais, no meu dia-a-dia, exibindo meu próprio mal do século, perdidos em gavetas e cadernos velhos, que dá pena pensar que o desperdício e o sedentarismo intelectual tomou conta de mim. Fico impressionado ao perceber como a poesia fugiu de mim, e como o tempo insiste em esconder-se cada vez mais no decorrer do meus dias. Não consigo produzir mais nada, e meu tempo é cada vez mais escasso. Não leio, não dialogo, não vivo para mim. O que está havendo comigo? I need help!
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| Hurting at 12:17:58 |
| terça-feira, 28 de junho de 2005 |
![]() Me afasto agora de tudo o que me faz mal. Das pessoas que pensei poder ter uma amizade, das bondades que não me deixam à vontade. Não evito meus vícios, que apesar de me fazerem mal, me fazem bem. Não me desfaço da tristeza, porque sobre esta eu não tenho nenhum controle. Hoje eu tenho alguém que me acompanha sempre, mas esse alguém não entende que minha tristeza não é parte disso. Minha depressão é exclusivamente pessoal. Careço de amizades mais próximas e fiéis. Quero uma identidade fixa, nem infantil nem adulta. Trabalho no meio de adultos e crianças. Estudo com adultos e crianças. Por esses aspectos que ainda não decidi quantos anos tenho. Relembro o dia de ontem e todos os sentimentos que me ocorreram durante o final de semana. Percebi que não sei o que sou nem sei porque sinto tanto. Senti-me feliz ao lado de pessoas que eu amo. Muito feliz... Pude sentir dentro de mim quem me faz sentir querido. Não preciso que me julguem! Não os que não me conhecem o bastante para fazê-lo. "Um mundo onde não preciso aceitar que me julguem" é onde quero viver. E não importa o que digam. Minha natureza É extremamente sozinha. Muitos do que achei serem meus amigos, são apenas mais uns juízes da vida. Então, a partir de hoje, resolvo virar-lhes a cara. Minha vontade de largar tudo e ir embora é cada vez maior, mas eu esqueço que tenho Ela, e não posso deixá-la sozinha. Ela é a única que ainda me segura aqui. Ela, e uma meia dúzia de amigos. Alguns me julgam por ficar apenas no quarto a desenhar e desenhar. Outros me julgam por ficar apenas no quarto a chorar e a me esconder. Quem entenderá a minha tristeza e frustração para comigo mesmo? Apenas eu e o vidro de remédio que está sobre a mesa. Já tentei desabafar com algumas pessoas, e somente uma pôde me entender. Após isso, resolvi escolher ela para mim. Minha mãe, após ler minha carta de auto testemunho, queria que eu fosse me tratar. Meus amigos não dão bola. Acham que é fingimento. Para quantos poderia falar de mim? Quantos serão sensíveis o bastante para me entender? Se nem minha mãe soube como agir , quem poderá saber? Tenho medo do escuro, mas nesta noite, o que eu mais quero é que a escuridão me assombre, e que eu fique sozinho em silêncio, encolhido sob a vaga luz da noite infinda... Para onde foi minha alegria de ontem? Para onde foi minha espiritualidade? Para onde foram todos? Onde diabos me perco das coisas sem que eu note? Hoje, nada de lágrimas, apenas frustração. Quero estar bem longe de algumas pessoas nos próximos dias... texto sem revisão Ouvindo: Avril Lavigne - Slipped Away |
| Hurting at 08:51:22 |
| sexta-feira, 13 de maio de 2005 |
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Tenho saudade de dormir após o almoço. Lembro-me bem dos dias de janeiro passados no litoral, onde após o almoço, o silêncio tomava a casa e toda a rua. Apenas o sol escaldava as calçadas e roupas estendidas nos muros. E dormíamos. Dormíamos até o fim da tarde, quando o sol já se cansava de brilhar e começava a recolher-se. O vento iniciava seu sopro, o frio da noite litorânea começava a baixar. Era tão bom pensar ter perdido uma tarde inteira dormindo. Me sentia satisfeito. E a noite nos esperava pronta, medonha e escura. As noites sempre foram menos melancólicas que os dias de sol no litoral. A cada ano que passava, mais liberdade tinha. Dormia num quarto separado da casa, e quanto me entristecia, acordava no meio da noite e caminhava pelas ruas desertas e caladas. Apenas a lua e o mar observavam-me vagando sem rumo concreto. Depois voltava para o quarto e dormia, ou lia um livro, ou apenas não fazia nada além de pensar. e já estava satisfeito. E nas manhãs de tristeza, acordava cedo, ia até a praia e via o sol nascer, totalmente só. (Minha natureza é extremamente sozinha). E, naquelas tardes, nada de rádios. Apenas a televisão, que tornava as tardes ainda mais deprimentes. Apenas eu, a televisão, e um cigarro. Sem amigos, sem companhia, sem alegria... E eu estava satisfeito. Algumas pessoas não acreditam na felicidade oculta da depressão. Eu acredito que a depressão expressa sabedoria. Todos os felizes me parecem tolos. Que saudade dos meus dias de solidão junto ao mar nos derradeiros dias de março. A solidão era minha melhor companheira, e eu estava satisfeito... |
| Hurting at 14:52:12 |
| quarta-feira, 11 de maio de 2005 |
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Tenho ficado muito triste por causa dessa minha falta de tempo. Quase todas as semanas tenho que trabalhar no sábado, ou senão feriado. E fico o fim de semana todo fazendo trabalho. E isso cansa. Tenho saudade dos meus amigos. Faz tempo que eu não saio em lugar algum. Fico todo o fim de semana em casa ou num quarto alugado fazendo trabalho. Nem tenho conseguido dar atenção para ninguém. E isso me coloca lá no fundo do poço. Tem horas, em que estou sozinho, que tenho vontade de sumir, de não ser mais nada, de fugir de casa e ir viajar pra bem longe, porque sinto que se ficar parado à espera da tristeza, vou ter colapsos de loucura. Não consigo dormir direito. Acordo com muito esforço, já com vontade de chorar. E pro trabalho vou calado. Mais um dia programado. Minha vida tem se resumido apenas à isso. Falta de tempo cada vez mais acentuada, dívidas e mais dívidas, tristezas e mais tristezas. No meu horário de trabalho é que fico mais triste. E ainda tenho que fazer o esforço de falar com as pessoas, atender outras, falar ao telefone. E isso me maltrata demais. Tem vezes que vou para o banheiro e me ponho a chorar... choro pra ver se me alivia esse aperto que insiste em permanecer dentro de mim... e depois volto, para ouvir mais cobranças e mais pedidos... faça isso... faça aquilo... Me desgasto... está cada vez mais difícil agüentar os dias úteis de cada semana... parecem cada vez mais longos, e cada vez mais predefinidos... Na segunda, meu pai veio me buscar no serviço e me levou pra faculdade... cheguei super cedo lá... e não tinha ninguém pra conversar, nem tinha celular pra ligar pra alguém... fui ficando cada vez mais angustiado... tenho estado cada vez mais carente de amizades... todas as terças, quando não encontro ninguém pra conversar, fico desse jeito. E passo a fumar muito nas terças, e a estar sempre apático nas aulas de francês. A mesma coisa ocorre nas aulas de sexta, mas nestas consigo disfarçar um pouco... A depressão atinge grande parte dos jovens brasileiros hoje... a depressão atingiu grande parte dos meus dias... Segure o choro! Não és mais um garoto desprotegido...
Ouvindo: Joss Stone - You had me |
| Hurting at 09:41:27 |
| terça-feira, 3 de maio de 2005 |
![]() Ontem, parado à espera do fim do meu dia, me vejo deparado em frente à um homem. Aparentava ser normal e sagaz e sorrindo, me fez um pedido. Queria que eu lhe desse algum dinheiro para poder tomar um café. E foi nesse momento, alguns segundos após Ter dado o dinheiro, que minha consciência parou, minha visão estagnou e meu pensamento fluiu. Suas palavras me voltaram à mente: "Rapaz que estuda, bem de grana, vai ser alguém na vida. Já eu estou aqui, dormindo na rua, vivendo catando latinhas". Lembro do seu rosto vívido, estampando um sorriso na face. Ele estava feliz. Daí li no livro que lia: "O cozinheiro desse restaurante fascina-se tanto com qualquer acontecimento na rua quanto eu por ler um livro, ou assistir uma peça de teatro". A vida sob a felicidade é feita com coisas tão simples. Quanto mais temos, menos felizes somos (princípio budista). O que aquele homem sabia da minha existência? O que ele sabia da minha mente atormentada e dos meus supostos "dias felizes"? Ele nem sequer percebeu a quantidade de angústias que possuo. O quanto sofro por tanto Ter e sempre mais querer. E a vaidade de querer é só a tentativa de nos mostrar diferentes de nossos iguais. Ou mostrar-se equivalentes à tais. E ontem eu senti inveja daquele homem, e o admirei, e o agradeci por abençoar-me (ou amaldiçoar-me). Desejou-me tudo que tinha em dobro, mas não sabia se desejava o mesmo à ele, só por medo de fazê-lo perder aquele sorriso condizente de humildade, e a sua satisfação em viver com pouco. Sempre dou dinheiro para os pedintes. Se for esperar pelo governo, eles morrerão esperando. Prefiro mantê-los nas ruas, ajudando-os com pouco, à negar-lhes tal ato. Pelo menos sei que pude proporcionar pelo menos alguns minutos de alegria a outrem, não importando qual o caminho para ela. Os ricos, quanto mais têm, menos dividem. Já os pobres sempre ajudam com o pouco que possuem. Odeio esse sistema capitalista que domina o mundo, mas, infelizmente, não aprendi a viver sem ele. sept mois parfaits ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() Joyeux anniversaire!
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| Hurting at 10:43:16 |




